quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Uma Igreja de palavras e testemunhos

"Fides ex auditu - A fé vem pelo ouvir" (Rm 10,17), nos diz o bem-aventurado apóstolo Paulo. Se, pois, é verdade que a fé vem do ouvir, o é também que o testemunho deriva da fé, nasce como consequência (ou resultado) daquilo que dizemos crer e professar. A Igreja não pode ser portadora de meias palavras, mas anunciadora íntegra do depósito da fé e da novidade de Deus, personificado no próprio Filho, Jesus Cristo, a Boa Nova por excelência.
Sim, a fé nasce da escuta, do ouvir, não apenas daquele ouvir físico. A experiência da escuta é permeada, outrossim, por aquela do coração, que não permanece insensível e inerte diante daquele que chama e, como outrora o fez com Samuel, pronuncia agora o nosso nome (1Sm 3,4-10).
Também isto vale à Igreja, que todos os dias deve sentir novamente o chamado de Cristo - mesmo sendo sua esposa - para que não perca a retidão da sua missão e a consciência que deve situar-se num mundo de tribulações como porta-voz da verdade. Consciência... Quanto falta aos seus membros! Lamentamo-nos todos os dias porque parece ser cada dia mais precária a presença de pastores determinados, que se preocupem não tanto em transmitir o que pensam, mas em transmitir o que lhes fora pedido pelo próprio Cristo através da mesma Igreja. Pela consciência o homem pode livrar-se de um pecado, mas pode também cair nele; pode afastar-se de uma heresia, mas pode abraçá-la; pode dizer "sim" a Deus, mas pode dizer-Lhe "não".
A consciência é o fórum de juízo íntimo onde nem o próprio Deus viola, porque faz parte do livre arbítrio com o qual quisera Ele dotar o homem. Mas não é sobre os aspectos filosóficos e teológicos que quero chamar atenção. Unicamente desejo alertar para que não transformemos a Igreja numa "testemunha" vazia, que não tem conteúdo porque serve-se apenas de práticas infundadas. Sem solidez, sem razão pela qual testemunhar, o próprio testemunho perde o seu sentido e pode tornar-se filantropia, exibicionismo, ignorância, Não em outra percepção São Pedro advertiu: "Estejais prontos a dar razão da vossa esperança" (1Pd 3,15). Dar razão poderia ser lido, hoje, como manifestar ao mundo a causa do que sustenta a nossa esperança, que não advém de qualquer lugar, mas nasce daquele que compartilhou a nossa fragilidade para nos dar a salvação.
O que temos a pedir? Uma igreja de testemunho, sim, mas uma Igreja também de palavras. O que seria da nossa Doutrina e da nossa fé se não fosse a Tradição oral e escrita transmitida a nós ao longo de séculos? Certamente já nos teríamos perdido, definhado como definharam tantas ideologias, nomenclaturas cristãs ou regimes políticos. Com certeza essa seria a ótica eficaz para compreensão do Pontificado do Papa Francisco, do Papa Bento XVI, do Papa João Paulo II e de todos os outros Sucessores de São Pedro. Relembrando aquilo que São Paulo dissera aos Coríntios: "Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento" (1Cor 3,6). Nesta vasta Seara do Senhor, ninguém trabalha sozinho, ninguém é autossuficiente, ninguém é único. Todos podem ser substituídos, na devida proporção, com seu devido modo de pastorear. Tudo é passageiro, mas só o Esposo da Igreja permanece, o dono da vinha, a razão das nossas palavras e testemunhos.
Graças a Deus porque a nossa Igreja vive de testemunho (reforçando: resultado primeiro da nossa fé), mas é graças a Deus também que ela vive de palavras, de documentos magisteriais, de ensinamentos que podem regulamentar sobre como vivenciar a nossa fé e conservar o que já cremos.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Epifania do Senhor: a glória de Cristo estendida ao mundo

“Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2,2).

Com essa indagação, os Magos do Oriente procuravam ver o Menino no qual havia se manifestado a glória e a bondade de Deus, o sinal do eterno e da ternura com que Ele, amando o mundo, inclina-se na direção da fragilidade humana e serve-se da nossa precária condição para externalizar os raios da sua benevolência. A pergunta daqueles desconhecidos, de terras longínquas, perturbou Herodes e toda corte. Poderia existir um rei dos judeus senão ele? Quem era aquela criança indefesa que fazia tremer um homem com vasta experiência de vida? Ele poderia parecer seguro diante dos outros e dos seus súditos, mas sabemos que era inseguro consigo mesmo, temendo até a fragilidade e a aparente impotência de um menino. Entretanto, essa torna-se hoje também a nossa pergunta. Para o homem contemporâneo, onde está Jesus Cristo? Diante da indiferença e do egoísmo do crer, a fé torna-se sempre mais mitigada pelas vias insensíveis de um mundo que clama somente a si mesmo e procura responder aos seus ideais com base na aniquilação de Deus ou na autoconfiança. Às vezes podemos constatar que ela parece herdar a insensibilidade de quem procura dirigir-se pelos sinais que se vão criando ao longo do caminho, mas não se sustenta naquelas realidades não alcançáveis, tornando-nos mais próximos de nós do que o vislumbrável de forma imanente.

Na esteira de vinte séculos desde que a mensagem da salvação foi anunciada ao mundo, diversos homens e mulheres protagonizaram uma contínua peregrinação na história, tendo como meta o Salvador, os santos são testemunhas disso. Também por vezes, nessa mesma linha, nos associamos à figura dos Magos: queremos ser de fato humanos e para isso queremos saber quem é Deus, onde pode ser encontrado e como é. Sentimo-nos desamparados e inquietos, assim colocamo-nos a caminho, rumamos para o desconhecido. Como eles, não sabemos o que nos aguarda à medida que caminhamos, porém somos motivados pela Sua busca sincera e pela salvação do mundo. Certamente esses homens eram detentores de uma posição social considerável, inclusive pelos presentes que ofereceram: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2,11), dotados de um saber filosófico e conhecedores dos astros, possuidores de uma vasta cultura. Mas o que os motivava não era o que eles eram; era o que queriam ser. A sua peregrinação exterior era a expressão de uma insatisfação interior, um não contentamento com a momentaneidade; queriam tocar o eterno e adorar o Salvador encarnado.  

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Maria: portadora da verdadeira Paz

Salve, Sancta Parens
Ao iniciarmos mais um ano, queremos agradecer ao Senhor da vida que nos concede a oportunidade de introduzirmos um novo tempo em nossa história, onde poderemos trilhar, na cotidianidade, os caminhos que nos propusermos a fazer em nosso percurso existencial. Para tanto, devemos sempre ter em mente que este momento não se dá jamais de forma desregrada ou autossuficiente, mas está inteiramente sob a conduta de uma vida que sabe ver em Deus o ápice de todo caminhar. O primeiro dia do ano não é marcado somente pela felicidade momentânea de troca de votos e de desejos expressivos de um ano próspero e duradouro. Outra celebração, ainda mais revestida de esplendor, assinala este momento: a Solenidade da Maternidade divina de Maria. Na vasta gama de oportunidades para celebrarmos esta data, aprouve a Igreja confiar a Virgem Mãe este momento. Na alvissareira condição histórica, Maria é aquela que nos faz silenciar na escuta atenta, no acalanto do regaço materno e no tempo que devemos oferecer a Deus.

“O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” (Nm 6,24-26). A Francisco de Assis parecia agradar-lhe muito essa fórmula de bênção da primeira leitura de hoje, que depois a liturgia também tomou para as celebrações, inserindo-a como a primeira nas possibilidades das bênçãos “per annum”. Ele mesmo escreveu-a de próprio punho ao seu confrade, confessor e pai, Frei Leão. Como diácono, Francisco sabia que Leão estava acima dele enquanto sacerdote, por isso nutria-lhe grande respeito e nele reconhecia a dignidade da identidade sacerdotal. Recuperando uma fórmula quase esquecida, motivava um novo olhar sobre o Deus que enriquece com sua graça a humanidade. É claro que Francisco procurava acima de tudo o olhar de Deus, quase numa analogia com o próprio salmista, que escreveu: “Meu coração diz a teu respeito: ‘Buscai a minha face!’. A vossa face, Senhor, eu procuro. Não escondais de mim a vossa face, não rejeiteis com ira o vosso servo” (Sl 26, 8-9). Desde a forma como preparava a chegada do Príncipe da Paz (cf. Is 9,6), podemos antever que o seu desejo era antes de tudo encontrar o rosto de Deus e transmiti-lo também aos outros. Ele sabia que aquele rosto tivera se manifestado em Jesus Cristo e queria que, como os pastores e magos, o estábulo fosse agora o local da acolhida de todos os que viessem ver o Deus menino. Quando, em 1223, celebrou o Natal em Greccio com um boi, um jumento e uma manjedoura cheia de feno, tornou-se visível uma dimensão mais contundente e atual desta festa. Natal era agora a festa da pobreza de Deus, que por meio de um menino aparentemente comum e igual a todos os outros, falou e fala aos homens que se deixam tocar pelo Seu mistério.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal do Senhor: a reconstituição do gênero humano


Mais uma vez a Igreja nos insere no contexto grandioso da solenidade hodierna. Deus entra na história humana; o distante torna-se próximo e o céu e a terra entrelaçam-se. Ele é um de nós! Mas este acontecimento que os gregos chamariam de “absurdo”, para nós exprime algo mais. Ele dilata a nossa visão para a essência da vida, nos retirando da mesquinhez intelectual e da soberania do nosso ego; desinstala-nos da nossa comodidade e nos faz andar novamente a Belém para adorarmos o mistério de Deus ali manifestado. Ele é a verdadeira esperança; a promessa esperada de paz e de salvação do povo hebreu.

No livro de Malaquias, lido por nós na iminência desta solenidade, o profeta nos relata a promessa messiânica daquele que viria instaurar a paz, a ordem e a justiça entre os povos: “Ele se estabelecerá e pastoreará na força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, o seu Deus. E eles viverão em segurança, pois a grandeza dele alcançará os confins da terra. Ele será a sua paz” (5,2-5). A promessa de paz vem acompanhada da certeza do pastoreio na força e na majestade. Parece-nos paradoxal a compreensão desta realidade ambígua diante da bem-aventurança pacífica de Jesus: “Bem-aventurados os que promovem a paz” (Mt 5,9). Como pode prover a paz se o texto conjuga como característica deste pastoreio a força? A compreensão equivocada destas palavras poderia induzir-nos a uma deturpada leitura do lugar de Deus na história e da sua intervenção na vida do homem. De fato, quantas vezes o nome divino foi e é usado para promover a guerra, a disseminação do ódio e a intolerância? Não seria esta uma abertura errônea do homem para Deus? Parecer-nos-ia que Deus precisaria da força e do ódio para impor-se diante do mundo, como se o seu poder fosse reduzido a uma instância meramente humana. Às palavras do profeta, entretanto, não podemos esquecer-nos da promessa que se segue àquela da instauração da força: “Ele será a sua paz”. Sim, Ele é verdadeiramente a paz, não apenas daqueles que sofreram sob o exílio, como também daqueles que hoje sofrem e são exilados da sua pátria, seja por motivos religiosos, seja por motivos socioeconômicos. É necessário que o homem tenha o seu coração dilatado a Deus para a compreensão desta promessa salutar.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Comunicação e Juventude: o desafio da Igreja hoje

“A mãe Igreja sabe que estes meios, retamente utilizados, prestam ajuda valiosa ao gênero humano, enquanto contribuem eficazmente para recrear e cultivar os espíritos e para propagar e firmar o reino de Deus; sabe também que os homens podem utilizar tais meios contra o desígnio do Criador e convertê-los em meios da sua própria ruína; mais ainda, sente uma maternal angústia pelos danos que, com o seu mau uso, se têm infligido, com demasiada frequência, à sociedade humana” (Inter Mirifica, 2).

O Decreto Inter mirifica, que há mais de 50 anos a Igreja publicou com o Concílio Vaticano II, nos permite antever um cenário que cinco décadas depois tornar-se-ia quase comum no contexto cultural e de valores. Tanto para o bem como para o mal, o homem pode potencializar o uso dos meios de comunicação. Numa sociedade que vitima-se a si mesma pela pela incoerência do uso desses meios e já não sabe assim distinguir entre bem e mal, justo e injusto, verdade e mentira, devemos nos perguntar: como delimitar aquilo que edifica e o que destrói? Até onde os meios de comunicação podem estimular a sabedoria e até onde podem limitá-la ou conduzi-la à prática do mal?

O convite para dirigir algumas palavras a vocês pareceu-me muito oportuno, sobretudo porque aqui encontram-se muitos jovens, quer em idade, quer em espírito. Como tema, escolhi: “Comunicação e Juventude: o desafio da Igreja hoje”. A Igreja é desafiada ao anúncio do Evangelho há quase dois mil anos. Em 2033 celebraremos o Ano Santo do bimilenário da morte e da sua ressurreição de Cristo. Nesse percurso poderíamos pensar em quanto Evangelho anunciado. Quanta Boa Nova! Quantas crianças, jovens, adultos e idosos convertidos! Contudo, quanto ainda se há por fazer! Tão pouco foi concretizado diante do que poderíamos ter feito. Pelo Reino de Deus sempre pode se fazer mais!

O anúncio da Boa Notícia pareceu reduzir-se e limitar-se a realidades padronizadas, quando desejamos manipular – por assim dizer – o Espírito Santo. O desafio da Igreja é o de espalhar a mensagem de Deus, torná-la fecunda e cativar o coração de cada homem, chamando-os a se tornarem parte da viva comunhão com o Criador. Ainda poderíamos dizer melhor: a Igreja deve descobrir Deus nas culturas, os sinais do Verbo (Logos spermatikos), que o Vaticano II retomou da teologia de São Justino. Os meios de comunicação tem um grande potencial para tal, como há muito tempo o fazem colaborando na transmissão do evangelho e conseguindo chegar aos recantos do mundo e aos lugares de difícil acesso. Quantas conversões foram causadas por uma palavra de conforto na televisão, no rádio, na internet! Quantas pessoas ajudadas!

Se temos um prisma bom para aqueles que sabem corretamente usar as redes, temos também um prisma negativo daqueles que as usam para vitimar o outro na sua sede de intolerância, ataques e ignorância. Pensamos sobretudo a partir de uma realidade supérflua, quando as redes começam a assumir uma posição de necessidade e não de colaboração, sinonimamente chamada vício.

domingo, 29 de novembro de 2015

Breve pensamento no início do Advento

Hoje, em consequência do tempo do Advento, veio-me à mente a passagem contundente das palavras de Jesus: "Quem perseverar até o fim será salvo" (Mt 24,13). Tudo parece dificultar a nossa perseverança e o bom êxito das nossas ações. Nos sentimos contraídos por pressões exteriores quase que a sufocarem nossa fé e a capacidade de darmos passos. Nesta dimensão da perseverança, não se evidenciam apenas os nossos esforços para trilharmos o caminho, mas até onde as pessoas permitem que o trilhemos e possamos obter os devidos resultados.
"Quem perseverar até o fim...". Mas como, Senhor, se pode perseverar quando somos perseguidos dentro da própria Igreja, pela prática da verdade? Como se pode perseverar quando somos injustamente acusados por levantarmos a voz em defesa da fé? Como se pode perseverar quando aqueles que deveriam ser semeadores do teu Reino ceifam o trigo bom, mas cultivam o joio? Como se pode perseverar quando a tua própria Igreja possui homens e mulheres que querem ter uma fé parcial, dando fé ao que convém mas rejeitando as condições necessárias para o ser cristão? Como perseverar assolados por tantos males da sociedade pós-moderna, como o relativismo, o hedonismo, o consumismo...? Como perseverar em meio a sede de ódio e o uso da violência como tentativa frustrada de justificar os interesses econômicos? Como perseverar quando o teu próprio Nome é usado como artifício para a violência?
E passados mais de dois mil anos, essas palavras não cessam de nos inquietar e de incomodar a forma como temos até aqui vivido. Não estamos, infelizmente nos é permitido constatar, preparados para o teu advento definitivo. É bem capaz de sermos, como vós dissestes, partidos ao meio e destinados à sorte dos infelizes. Mesmo no desânimo, consola-nos o vosso estímulo: "Levantai as vossas cabeças!". As levantaremos confiando em Vós e na vossa promessa. Afinal, são a esses que prometestes a tua salvação.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Pensando a morte num mundo de vaidades

Antes do mais, devo ressaltar que, por uma questão de coesão, me parece preferível  pensar a morte, enquanto componente do processo existencial humano, do que pensar na morte.
O título a primeiro instante deve ter criado até mesmo uma repulsa no leitor. Em parte, compreendo! Vivemos numa sociedade marcada pelo instinto de felicidade plena. Não se pensa mais para além de si, mas pensa-se em si e no agora. Vivemos intensamente e desfrutamos de todos os prazeres, mas nunca nos preocupamos em interrogar-nos com a pergunta que é parte deste processo de vida: O que virá depois disso? Certos dramas – e não me nego a afirmar convictamente – que o homem contemporâneo tomou para si, são consequências da sua repulsa por pensar que um dia todos chegarão a um termo na vida.
Dois de novembro é o dia que muitos vão ao cemitério, levam flores, acendem velas nos jazidos dos que o precederam neste mundo e terminaram as suas vidas acometidos por uma doença ou por uma grande fatalidade, ou ainda tiveram sua vida tirada por outrem. Lamentável! Todos fazem este processo de relembrança, mas poucos sabem – como escrevi noutro artigo – fazer o processo de ressignificação dessa pessoa em sua vida e qual lugar ele deveria ocupar a partir daquele instante. Não nos acostumamos à ausência facilmente, mas se não encararmos o processo de dor imediata, uma hora ela aparecerá de forma tão avassaladora que poderá desmotivar o sujeito até mesmo para a vida.
Mas, o que pensar da morte neste mundo de aparências e de felicidades fugazes? Como pode o homem da pós-modernidade lançar um olhar sobre ela sem que isso o deixe extremamente constrangido ao sair de um cemitério ou sem que, talvez por um dia ou mais, permaneça com sentimento de angústia?
A morte sempre permaneceu um enigma, quer para a filosofia, quer para a teologia ou mesmo para a ciência. A ciência ainda dirá que a consequência da morte é a cessação das atividades dos órgãos característicos para a manutenção física. Mas a meu ver isso não é causa, é consequência. A pergunta seria anterior a este estágio: por que, então, os órgãos deixam de funcionar? Entretanto, não é aqui ainda que quero me ater, nos aspectos científicos. Desejo suscitar no leitor a possibilidade (ou necessidade) de convergir o olhar para a morte, não de forma assustadora e mitificada pelo que se ouve falar em diversos âmbitos. Pensemos a morte de forma mais suavizada... se é possível.