O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller,
falando em Ratisbona, advertiu para a possibilidade de uma séria divisão
interna na Igreja nos temas que tocam o matrimônio e a sexualidade. Referiu-se
em particular aos bispos da sua nativa Alemanha, e disse que as reivindicações
deles para assumirem um papel de líderes na definição política da Igreja
universal deve ser examinada criticamente, também a luz do êxodo das massas da
Igreja católica alemã.
Müller acrescentou que a Igreja não deve aceitar a secularização em
evidência na Europa ocidental, porque ela “não é um processo natural inevitável”.
Mesmo com a forte tendência, uma evangelização enérgica pode neutralizá-la, “porque
a fé move montanhas”.
Müller criticou o modo no qual se tenta desconstruir a doutrina católica
do matrimônio: exegético, histórico, com a história do dogma, psicologia e
sociologia, uma doutrina que nasce do ensinamento de Jesus mas deseja tornar-se
compatível com a sociedade atual. Disse ainda que quem é fiel aos ensinamentos
da Igreja é difamado como “adversário do Papa”, como se o Papa e todos os
bispos em comunhão com ele não fossem testemunhas da verdade revelada.
Evocou enfaticamente o risco de um cisma em relação à separação entre a
doutrina e a prática pastoral: “necessitamos estar sempre atentos e não
esquecermos as lições da história da Igreja”, referindo-se ao cisma protestante
de 1517. Sobre o matrimônio, afirmou: “não devemos deixar-nos enganar quando se
trata da natureza sacramental do matrimônio, a sua indissolubilidade, a sua
abertura aos filhos e a complementação fundamental entre os dois sexos. A
assistência pastoral deve ter em vista a salvação eterna”. E concluiu: “não se
trata de adaptar a revelação ao mundo, mas de ganhar o mundo para Deus”.
Fonte: La Stampa

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