O
pecado não está em possuir, mas em ser possuído por aquilo que você possui. É
isso que nos ensina Jesus quando critica não a riqueza, mas o fato de nos
deixarmos possuir por ela. Por isso, quando tudo queremos, nada conseguimos.
No-lo recordou Pe. Vieira: "Quem quer mais do que lhe convém, perde o que
quer e o que tem". Nas realidades prioritárias da nossa vida a lei de Deus
sempre vai para o último lugar diante do desejo do homem. A riqueza mal usada é
como corrente, que não permite que o
homem seja elevado, mas o prende neste mundo e quem está preso não pode subir,
mesmo que tenha asas e desejo. Há precisos 3 anos, quando repetia-se este mesmo
evangelho, eu disse que condenar a riqueza seria um grande prejuízo a Jesus,
pois existem pobres soberbos e ricos que são pobres. Existe a profunda pobreza
material e a profunda pobreza espiritual. Um não é sinônimo do outro, como
também o inverso não pode sê-lo.
Obrigado, jovem rico, porque fostes embora e não permanecestes onde achastes que não te cabia.
Obrigado porque vistes que não era aquele o teu local e, na tua sinceridade, mesmo apegado aos bens do mundo, não fostes um usurpador de título ou procurastes o Senhor por interesse.
Obrigado porque vistes que não era aquele o teu local e, na tua sinceridade, mesmo apegado aos bens do mundo, não fostes um usurpador de título ou procurastes o Senhor por interesse.
Obrigado porque proporcionastes a Jesus o belo ensinamento de que o homem que não usa a sua riqueza para o bem, não sabe usar bem sua riqueza.
Obrigado porque ensinastes que não se pode seguir Jesus se não somos capazes de renunciar ao material, ao supérfluo e transitório.
Obrigado porque mostras aos que querem seguir o Senhor a dificuldade do caminho, exigências e respostas de amor que devem ser dadas a quem nos deu tudo.
Obrigado, Padres, que vos percebendo incapazes de dar continuidade ao caminho exigente do Evangelho e para honrar a Igreja preferistes renunciar ao exercício do ministério, não fazendo como tantos outros que dizem amar a Cristo, mas ajuntam para si tanta riqueza, quanto almas para Deus.
Obrigado, Religiosos (as), que não conseguindo abraçar intimamente o
caminho do discipulado, deixastes os claustros e congregações para vos
inserirdes no mundo, reconhecendo a não-capacidade de dar continuidade ao
seguimento radical.
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