A pertinente pergunta
filosófica que intitula nosso artigo cederá lugar aqui a uma análise sobre a
situação do homem diante das novas tecnologias. Uma visão filosófico-social
mediante os desafios que se desdobram no cenário da superficialidade das
relações e da incompatibilidade com o eu.
Não desmerecendo o valor do grande avanço científico que
nos possibilitou certa proximidade com pessoas fisicamente distantes de nós,
sabendo que, se usados coerentemente, estes meios tendem a dilatar perspectivas
maiores para a potencialização do conhecimento, não podemos, por outro lado,
ignorar a guinada que o ser humano propiciou com a sua anuência às relações
virtuais em detrimento das relações físicas. Substituiu-se a realidade por
alguns sms’s, mensagens de voz, postagens nos perfis do facebook ou fotos no
instagram. Aliás, a coisa está tão patente que a sua vida se reduziu a uma
multiplicidade de like’s, e quando
não os conseguem, entram numa crise estapafúrdia de inferioridade. Se tiver
muitas curtidas (quer seja no facebook, quer no instagram) é conhecido; mas se
poucos o veem, curtem e seguem, surge a pergunta existencial inserida neste
outro contexto: quem sou eu? Quem
aparento ser diante de alguém que tem 20 mil curtidas? A partir daí começa-se o
investimento que faz jus a música de um cantor brasileiro, estimulando a ideia
de uma metamorfose ambulante.
Mas não parou por aí! A situação degringolou de vez
quando fomos assolados pela massa midiática que preponderantemente nos informa,
mas não nos forma – e por isso nos deforma. Quando a dimensão pessoal fica restringida
a redutibilidade de um celular ou de um computador, a vida perde sentido diante
daquelas ações e reações que só o contato físico pode favorecer. As emoções
parecem superficiais, os sentimentos são fugazes, as palavras são esquecidas.
Em primeiro instante tudo parece belo e lindo, mas depois temos a capacidade de
com um delete excluir tudo o que fora
dito... Dito, mas não vivido!
No mundo da superficialidade falta esperança, sobra
espera. É preciso esperar com esperança e ter esperança na espera. Faltam-se as
redes sociais? Brota a impaciência! Ficam aniquiladas as estruturas do diálogo
porque já não mais se é capaz de parar e escutar. Quanto mais usamos mal a web,
mais ficamos descomprometidos com a verdade, mais ficamos longe de nós mesmos e
ficamos menos a disposição do outro. Urge retomar a consciência da escuta, que
é uma das bases do diálogo. Onde todos falam ao mesmo tempo, a ninguém se
escuta. Quando dez pessoas falam conjuntamente, dali só ouve-se murmúrios,
vozes que se misturam com uma grotesca falta de educação, de tal forma que um
sempre quererá sobrepujar a sua à dos demais. Se nós apenas falamos e falamos,
a quem escutamos? Tolhemo-nos do conhecimento porque desconhecemos aspectos que
antes eram cruciais na vida.
Gosto de escrever poesias, e numa delas falava sobre ressignificar, isto é, conferir nova
acepção, novo significado, aos aspectos que permeiam o nosso cotidiano. Penso
que tenha chegado também a hora de direcionarmos um novo olhar para os meios de comunicação. Que lugar eles ocupam na
nossa vida? Apenas nos subtraem da vida ou nos ajudam na apropriação do
conhecimento? E que conhecimento pode nos oferecer as redes sociais? Sou “senhor”
das comunicações sociais ou deixo que elas me dominem? Promovo o bem no âmbito
interativo?
Incrivelmente as redes sociais nos mantém ocupados, mas
não nos tornam mais inteligentes. Nesse patamar, não sei se alcançaremos uma
virada epistemológica do conhecimento. E quando somos convidados a parar,
encontramos o nosso próprio eu e nos
sentimos tão vazios que logo procuramos outras ocupações que nos mantenham
ocupados. É quase inviável que, nesta conjuntura, descubramos quem somos de
fato.

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