Hoje, em consequência do tempo do Advento, veio-me à mente a passagem contundente das palavras de Jesus: "Quem perseverar até o fim será salvo" (Mt 24,13). Tudo parece dificultar a nossa perseverança e o bom êxito das nossas ações. Nos sentimos contraídos por pressões exteriores quase que a sufocarem nossa fé e a capacidade de darmos passos. Nesta dimensão da perseverança, não se evidenciam apenas os nossos esforços para trilharmos o caminho, mas até onde as pessoas permitem que o trilhemos e possamos obter os devidos resultados.
"Quem perseverar até o fim...". Mas como, Senhor, se pode perseverar quando somos perseguidos dentro da própria Igreja, pela prática da verdade? Como se pode perseverar quando somos injustamente acusados por levantarmos a voz em defesa da fé? Como se pode perseverar quando aqueles que deveriam ser semeadores do teu Reino ceifam o trigo bom, mas cultivam o joio? Como se pode perseverar quando a tua própria Igreja possui homens e mulheres que querem ter uma fé parcial, dando fé ao que convém mas rejeitando as condições necessárias para o ser cristão? Como perseverar assolados por tantos males da sociedade pós-moderna, como o relativismo, o hedonismo, o consumismo...? Como perseverar em meio a sede de ódio e o uso da violência como tentativa frustrada de justificar os interesses econômicos? Como perseverar quando o teu próprio Nome é usado como artifício para a violência?
E passados mais de dois mil anos, essas palavras não cessam de nos inquietar e de incomodar a forma como temos até aqui vivido. Não estamos, infelizmente nos é permitido constatar, preparados para o teu advento definitivo. É bem capaz de sermos, como vós dissestes, partidos ao meio e destinados à sorte dos infelizes. Mesmo no desânimo, consola-nos o vosso estímulo: "Levantai as vossas cabeças!". As levantaremos confiando em Vós e na vossa promessa. Afinal, são a esses que prometestes a tua salvação.
