“Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a
sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo”
(Mt 2,2).
Com
essa indagação, os Magos do Oriente procuravam ver o Menino no qual havia se
manifestado a glória e a bondade de Deus, o sinal do eterno e da ternura com
que Ele, amando o mundo, inclina-se na direção da fragilidade humana e serve-se
da nossa precária condição para externalizar os raios da sua benevolência. A pergunta
daqueles desconhecidos, de terras longínquas, perturbou Herodes e toda corte.
Poderia existir um rei dos judeus senão ele? Quem era aquela criança indefesa
que fazia tremer um homem com vasta experiência de vida? Ele poderia parecer
seguro diante dos outros e dos seus súditos, mas sabemos que era inseguro
consigo mesmo, temendo até a fragilidade e a aparente impotência de um menino.
Entretanto, essa torna-se hoje também a nossa pergunta. Para o homem
contemporâneo, onde está Jesus Cristo? Diante da indiferença e do egoísmo do
crer, a fé torna-se sempre mais mitigada pelas vias insensíveis de um mundo que
clama somente a si mesmo e procura responder aos seus ideais com base na
aniquilação de Deus ou na autoconfiança. Às vezes podemos constatar que ela
parece herdar a insensibilidade de quem procura dirigir-se pelos sinais que se
vão criando ao longo do caminho, mas não se sustenta naquelas realidades não
alcançáveis, tornando-nos mais próximos de nós do que o vislumbrável de forma
imanente.
Na
esteira de vinte séculos desde que a mensagem da salvação foi anunciada ao
mundo, diversos homens e mulheres protagonizaram uma contínua peregrinação na
história, tendo como meta o Salvador, os santos são testemunhas disso. Também
por vezes, nessa mesma linha, nos associamos à figura dos Magos: queremos ser
de fato humanos e para isso queremos saber quem é Deus, onde pode ser
encontrado e como é. Sentimo-nos desamparados e inquietos, assim colocamo-nos a
caminho, rumamos para o desconhecido. Como eles, não sabemos o que nos aguarda à
medida que caminhamos, porém somos motivados pela Sua busca sincera e pela
salvação do mundo. Certamente esses homens eram detentores de uma posição
social considerável, inclusive pelos presentes que ofereceram: ouro, incenso e
mirra (cf. Mt 2,11), dotados de um
saber filosófico e conhecedores dos astros, possuidores de uma vasta cultura. Mas
o que os motivava não era o que eles eram; era o que queriam ser. A sua
peregrinação exterior era a expressão de uma insatisfação interior, um não
contentamento com a momentaneidade; queriam tocar o eterno e adorar o Salvador
encarnado.