sábado, 2 de janeiro de 2016

Epifania do Senhor: a glória de Cristo estendida ao mundo

“Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-Lo” (Mt 2,2).

Com essa indagação, os Magos do Oriente procuravam ver o Menino no qual havia se manifestado a glória e a bondade de Deus, o sinal do eterno e da ternura com que Ele, amando o mundo, inclina-se na direção da fragilidade humana e serve-se da nossa precária condição para externalizar os raios da sua benevolência. A pergunta daqueles desconhecidos, de terras longínquas, perturbou Herodes e toda corte. Poderia existir um rei dos judeus senão ele? Quem era aquela criança indefesa que fazia tremer um homem com vasta experiência de vida? Ele poderia parecer seguro diante dos outros e dos seus súditos, mas sabemos que era inseguro consigo mesmo, temendo até a fragilidade e a aparente impotência de um menino. Entretanto, essa torna-se hoje também a nossa pergunta. Para o homem contemporâneo, onde está Jesus Cristo? Diante da indiferença e do egoísmo do crer, a fé torna-se sempre mais mitigada pelas vias insensíveis de um mundo que clama somente a si mesmo e procura responder aos seus ideais com base na aniquilação de Deus ou na autoconfiança. Às vezes podemos constatar que ela parece herdar a insensibilidade de quem procura dirigir-se pelos sinais que se vão criando ao longo do caminho, mas não se sustenta naquelas realidades não alcançáveis, tornando-nos mais próximos de nós do que o vislumbrável de forma imanente.

Na esteira de vinte séculos desde que a mensagem da salvação foi anunciada ao mundo, diversos homens e mulheres protagonizaram uma contínua peregrinação na história, tendo como meta o Salvador, os santos são testemunhas disso. Também por vezes, nessa mesma linha, nos associamos à figura dos Magos: queremos ser de fato humanos e para isso queremos saber quem é Deus, onde pode ser encontrado e como é. Sentimo-nos desamparados e inquietos, assim colocamo-nos a caminho, rumamos para o desconhecido. Como eles, não sabemos o que nos aguarda à medida que caminhamos, porém somos motivados pela Sua busca sincera e pela salvação do mundo. Certamente esses homens eram detentores de uma posição social considerável, inclusive pelos presentes que ofereceram: ouro, incenso e mirra (cf. Mt 2,11), dotados de um saber filosófico e conhecedores dos astros, possuidores de uma vasta cultura. Mas o que os motivava não era o que eles eram; era o que queriam ser. A sua peregrinação exterior era a expressão de uma insatisfação interior, um não contentamento com a momentaneidade; queriam tocar o eterno e adorar o Salvador encarnado.