“A mãe Igreja sabe que estes meios,
retamente utilizados, prestam ajuda valiosa ao gênero humano, enquanto
contribuem eficazmente para recrear e cultivar os espíritos e para propagar e
firmar o reino de Deus; sabe também que os homens podem utilizar tais meios
contra o desígnio do Criador e convertê-los em meios da sua própria ruína; mais
ainda, sente uma maternal angústia pelos danos que, com o seu mau uso, se têm
infligido, com demasiada frequência, à sociedade humana” (Inter Mirifica, 2).
O Decreto Inter
mirifica, que há mais de 50 anos a Igreja publicou com o Concílio Vaticano
II, nos permite antever um cenário que cinco décadas depois tornar-se-ia quase
comum no contexto cultural e de valores. Tanto para o bem como para o mal, o
homem pode potencializar o uso dos meios de comunicação. Numa sociedade que
vitima-se a si mesma pela pela incoerência do uso desses meios e já não sabe
assim distinguir entre bem e mal, justo e injusto, verdade e mentira, devemos
nos perguntar: como delimitar aquilo que edifica e o que destrói? Até onde os
meios de comunicação podem estimular a sabedoria e até onde podem limitá-la ou
conduzi-la à prática do mal?
O convite para dirigir algumas palavras a vocês pareceu-me
muito oportuno, sobretudo porque aqui encontram-se muitos jovens, quer em
idade, quer em espírito. Como tema, escolhi: “Comunicação e Juventude: o desafio da Igreja hoje”. A Igreja é
desafiada ao anúncio do Evangelho há quase dois mil anos. Em 2033 celebraremos o
Ano Santo do bimilenário da morte e da sua ressurreição de Cristo. Nesse
percurso poderíamos pensar em quanto Evangelho anunciado. Quanta Boa Nova!
Quantas crianças, jovens, adultos e idosos convertidos! Contudo, quanto ainda
se há por fazer! Tão pouco foi concretizado diante do que poderíamos ter feito.
Pelo Reino de Deus sempre pode se fazer mais!
O anúncio da Boa Notícia pareceu reduzir-se e limitar-se a
realidades padronizadas, quando desejamos manipular – por assim dizer – o
Espírito Santo. O desafio da Igreja é o de espalhar a mensagem de Deus,
torná-la fecunda e cativar o coração de cada homem, chamando-os a se tornarem
parte da viva comunhão com o Criador. Ainda poderíamos dizer melhor: a Igreja
deve descobrir Deus nas culturas, os sinais do Verbo (Logos spermatikos), que o Vaticano II retomou da teologia de São
Justino. Os meios de comunicação tem um grande potencial para tal, como há
muito tempo o fazem colaborando na transmissão do evangelho e conseguindo
chegar aos recantos do mundo e aos lugares de difícil acesso. Quantas
conversões foram causadas por uma palavra de conforto na televisão, no rádio,
na internet! Quantas pessoas ajudadas!
Se temos um prisma bom para aqueles que sabem corretamente
usar as redes, temos também um prisma negativo daqueles que as usam para
vitimar o outro na sua sede de intolerância, ataques e ignorância. Pensamos
sobretudo a partir de uma realidade supérflua, quando as redes começam a
assumir uma posição de necessidade e não de colaboração, sinonimamente chamada vício.
